Gosto de fazer distinção entre Vida e Existência. Isto me ajuda a saber quem sou e onde estou.
Penso na Vida como mistério, a gente a discerne e a reconhece em nossa experiência. A Existência é fenômeno, é física, é química, reage ao ambiente.
A Vida é intangível, mas a Existência é estrutural, é produto.
A Vida é. A Existência está. A Vida permanece sem a Existência, porém a Existência sem a Vida não aconteceria. Vida é essência – Existência meio.
Pela fé tateamos a superfície da Vida. Com crenças empacotamos a Existência. Na Vida sou para sempre, na Existência estou por enquanto.
Vida é concessão, a Existência tem seu preço. Vida é graça, a Existência é meritória.
O que impulsiona a Existência é o conflito, mas a Vida se mantém em harmonia. Na Existência existem dores, mas as delicias permanentes estão diante da Vida.
A Vida é simples. A Existência é simplesmente complexa. A Vida é plena, mas a Existência se descasca. A Vida concede espaço para a Existência. Uma vez na Existência, a melhor escolha é dar lugar a Vida.
Na Existência os caminhos são altos e baixos, mas na Vida os caminhos são todos aplanados.
Vida e Existência, duas dimensões sobrepostas.
Nascemos na Vida, mas abrimos os olhos na Existência. Somos seres da Vida, mas insistimos em não sair das trincheiras da Existência.
Bora pra Vida!
(Alexandre Araújo | Junho-2015)