Tu que não te preocupas com o tempo, que tens passado, presente e futuro em tuas mãos. Como poderias olhar para um ser tão efêmero, etéreo e fulgaz como eu? Tu que medes os mares com a palma das mãos, que jogas dados com as galáxias e faz da terra um tapete felpudo onde apoias teus pés. Como poderias tocar-me? Tu que tens como adoradores eternos os anjos mais lindos e poderosos, que tens todo o universo unido em uma sinfonia cósmica de louvores ao teu nome. Como prestarias atenção à minha oração titubeante? Tu que és a origem de tudo que é vivo e de tudo que é inanimado, que exala vida de tuas santas narinas, que fazes brotar as plantas apenas pelo fato de as sementes terem a expectativa da tua presença. Como poderias abrir mão deste poder apenas para que eu, em minha fragilidade tivesse acesso a ele? Essas perguntas tiveram resposta na crueldade de teus algozes e no sangue da tua cruz, diante de tal prova de amor eu me abandono em teus braços, embriagado e extasiado pela beleza da tua santidade.
Thiago Vimercarti